Após 20 anos, tartarugas depositam ovos na Barra durante isolamento social

Ovos foram transferidos para área de incubação na base de Arembepe, no Litoral Norte (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Quem viu uma tartaruga marinha pondo ovos na praia da Barra na noite de terça-feira (16), associou imediatamente o fato ao reflexo do isolamento social. De certa forma, isso pode até ter contribuído, afinal estes animais procuram locais praticamente desertos para depositar os ovos. Mas, o que as pessoas não imaginam é que o feito não é realizado há pelos 20 anos naquele local. Tartarugas nadam nas águas da Barra, mas, até então, não faziam desova porque a praia não tem característica física para tal fenômeno. 

É o que explica o diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), professor Francisco Kelmo. “As características físicas da praia da Barra não as prediletas das tartarugas, principalmente pelo declive. O ovo tem que ser colocado num local seco. Quando a maré enche, encobre toda a faixa estreita de areia e provavelmente o processo reprodutivo seria prejudicado”, disse Kelmo. Na manhã desta quinta-feira (18), o Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar removeu ovos do local. (veja abaixo).

Segundo o Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar, o animal é da espécie oliva (Lepidochelys olivácea) e tem o hábito de depositar os ovos entre os meses de setembro e março. Esporadicamente, a espécie faz a desova fora do período habitual. A escolha pela Praia da Barra pode ter sido por vários motivos, entre eles o fato de água estar limpa devido ao isolamento social.

De acordo com o estudo da Faculdade de Biologia da Ufba, durante esse período que as pessoas estão proibidas de frequentar as praias, a qualidade da água no trecho entre o Cristo e o Porto da Barra passou de boa para excelente. Essas praias são famosas e ficam lotadas todos os dias da semana, principalmente no verão.

O estudo levou em consideração o PH, que é o indicador de acidez. Quando a água do mar é ácida, é prejudicial para a população. Então, o PH no mês de dezembro foi de 8.1. Agora, no início deste mês, está em 8.4, indicando que houve uma redução da acidez. Outra base para o estudo foi a quantidade de coliformes. A contagem do mês de dezembro foi uma média de 206 colônias de uma bactéria. Nesse mês foram seis colônias.

Fonte: Correio 24 horas

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