NASCIMENTO DO SOU DE BROTAS

Centenas de anos após a criação do bairro, mais precisamente em 6 de março de 1995, nasce na Maternidade Iperba, às 23h45, aquele que seria o idealizador do Sou de Brotas. Elson Barbosa, que estudou na Escola Gente Miúda, passando em seguida pela Escola Estadual Manoel Vitorino e pelo Colégio Estadual Luiz Viana, decidiu cursar Jornalismo por ser apaixonado pela Comunicação.

Formado desde 2017, o jovem jornalista teve a ideia de criar o projeto após trabalhar no bairro onde reside. Em um programa voltado para atender jovens de escolas públicas de Salvador, Elson foi instrutor em oficinas e aulas de Empreendedorismo Digital.

Após a experiência, ele decidiu unir suas duas paixões: O jornalismo e o bairro de Brotas. Foi então que surgiu o Sou de Brotas, um canal de comunicação voltado para um dos maiores bairros de Salvador.

Nesse espaço é possível desfrutar de notícias, particularidades da região, dicas do que fazer aos fins de semana, além de lugares para curtir diariamente. O Sou de Brotas não é apenas um portal de notícias, ele é canal de informação, onde os personagens são os moradores, que vivem e conhecem a história dessa região.

Agora conheça a história do bairro que motivou a criação do Sou de Brotas:

REFERÊNCIA DO BAIRRO COM A IGREJA CATÓLICA

Quem passa diariamente pelas ruas do bairro de Brotas não imagina o quanto a história da região está inteiramente ligada à Igreja Católica e a colonização de Salvador. Em 1558, o Brasil era gerido pelo governador-geral Mem de Sá. Nessa época, colônias foram fundadas onde hoje é a capital baiana, entre elas a São Paulo, que, segundo o livro “Salvador – Transformações e Permanências”, foi instituída a mando do governador pelo jesuíta Manuel de Nóbrega.

A região, que futuramente veio a se chamar Brotas, foi criada a partir da junção de quatro aldeias, resultando numa população de cerca de 250 pessoas, entre a vizinhança 50 eram cristãos. Junto com ela também foi construída uma pequena igreja, o primeiro marco da influência religiosa na região. Atualmente, o local é marcado pela famosa Cruz da Redenção.

Em 1561 a colônia era composta por cerca de 2 mil pessoas. Já em 1562, graves doenças, como a epidemia de varíola, assolaram a região, resultando na morte de muitos índios. Uma outra parte sobrevivente acabou indo para o interior.  Acredita-se que a doença ocasionou a destruição de mais duas aldeias (São João e São Miguel).

A antiga igreja foi destruída e construída novamente metros a frente, onde atualmente fica localizada. Em 1714, o novo templo foi erguido. O local que hoje abriga a paróquia Nossa Senhora de Brotas, e que incialmente era denominado de Capela Nossa Senhora de Brotas do Caminho Grande, foi expandido e elevado à paróquia em 1718, pelo então arcebispo Dom Sebastião Monteiro da Vide.

Igreja Católica Nossa Senhora de Brotas (Imagem: Reprodução/ Camila Souza/GOVBA)

IMAGEM DA SANTA: Trazida pelos colonizadores portugueses, a imagem de Nossa Senhora de Brotas recebeu este título em alusão à Igreja de Nossa Senhora de Brotas, localizada na região do Alentejo, em Brotas – Portugal, onde a Mãe de Jesus apareceu a um vaqueiro, que suplicava uma graça à Virgem Maria.

Cabe ressaltar que com a chegada da igreja, muitos cristãos começaram a residir em torno da paróquia e consequentemente atraindo os olhares para aquele que futuramente viria a se tornar um dos maiores bairros de Salvador.

ECONOMIA

Brotas foi uma das primeiras regiões a possuir engenhos de cana-de-açúcar que contribuíram para a economia do país durante o período Brasil Colônia (1530 a 1822).

 Para quem não sabe, o marco inicial desse período foi o momento em que D. João III encaminhou Martim Afonso de Souza, em 1530, para realizar uma expedição colonizadora no litoral brasileiro. A finalidade foi estabelecer vilas e dividir lotes de terras para os donatários (pessoa que administrava terras que recebiam) explorarem metais preciosos e cultivassem a cana-de-açúcar.

Como foi citado anteriormente, quem geria o governo-geral na época da fundação do bairro era Mem de Sá. Ele foi o terceiro a assumir o comando. Na sua administração os franceses foram expulsos do Brasil. Ele também fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e permaneceu no cargo de 1558 a 1572.

BROTAS NA ATUALIDADE

Para quem conhece a região, sabe que Brotas é uma cidade disfarçada. Acupe, Campinas, Horto Florestal, Candeal, Engenho Velho, Matatu, Parque Bela Vista, Santo Agotinho, Cosme de Farias, Vila Laura, Luis Anselmo, Daniel Lisboa. Tudo isso é / era considerado como subdistritos de Brotascity.

A grande diversidade dessa região de Salvador a torna diferenciada. Há um ditado popular que diz: “Toda ladeira que sobe dá em Brotas”. E é verdade. Aqui ninguém se perde e ainda consegue encontrar de tudo.

Situado na região centro sul de Salvador, é um grande conjunto de morros, limitados pelas grandes avenidas: Vasco da Gama, Juracy Magalhães, ACM e Bonocô. Considerado o segundo bairro mais populoso de Salvador, com cerca de 70 mil habitantes, ficando atrás apenas de Cajazeiras, Brotas caracteriza-se pela diversidade de sua população, abrangendo todas as classes sociais.

As principais edificações são: a Igreja de Nossa Senhora de Brotas, a Casa do Retiro de São Francisco, os hospitais Aristides Maltez e Evangélico da Bahia, Escola Baiana de Medicina e a Maternidade do Iperba.

Brotas conta ainda com um shopping de médio porte, o Brotas Center, e um teatro, o Solar Boa vista, localizado próximo ao sobrado onde o poeta Castro Alves passou a sua infância.

CURIOSIDADES

  • Brotas teve seu nome decretado em 1718 – no mesmo período em que a capela tornou-se paróquia. Conta-se que próximo à região da Cruz da Redenção morava um homem que vivia do leite que tirava da vaca de sua propriedade. Certo dia, ele teria encontrado o animal metido num lameiro e, antes de qualquer socorro, invocou a Virgem, que lhe apareceu tendo nos braços o Menino Jesus. Registrado o milagre, ainda hoje pode ser vista na Matriz de Brotas aos pés da padroeira.
  • O velho Solar da Boa Vista pertenceu à família do poeta Castro Alves, que aos 11 anos de idade (1858) foi ali residir. No início dos anos 80 foi criado o Parque Solar Boa Vista e desde a década de 90 as instalações do Solar abriga a Secretária Municipal de Educação e Cultura.
  • O Largo dos Paranhos chamava-se “Boca da Mata”. Nesse local os moradores de Cosme de Farias colocavam as compras feitas nas feiras livres sobre os lombos de jegue ou de burro para levá-las até em casa.